terça-feira, 1 de junho de 2010

Talvez seja ilusão. Esperar tanto, que quando acontece nada se encaixa, nada se assimila. Estava indo embora, mas me invadiu muito mais do que antes. Um minuto, uma ação. Mudou tudo.Tantos sentimentos, tantas reações. Um beijo. Torce, retorce, vira e desvira, mãos, cabelos, braços, apertos, carinhos, gemidos. Um querer não querer sem saber, sem entender, sem dizer, sem por quê. Ondas que vão e vêm, que inundam, que destroem, que acalmam, que amedrontam. Olhos cegos que dizem tudo. Cada sorriso, cada dente, aquela língua, cada fio de cabelo, o cigarro, a bebida. Visão perfeita totalmente retorcida. Meu consolo, meu acalento, meu desejo, meu remédio, minha doença, meu vício, minha mania, meu objetivo, minha obsessão, minha essência. O porto seguro do meu devaneio. Devaneio do meu porto seguro. Pulsar, transpirar, relaxar, pensar, guardar. Lá e cá. De que adianta? Não quero um beijo, não quero uma palavra, não quero uma ação, não quero um pedaço de papel.Quero o todo, quero o tudo. Quero desmontar, lapidar, guardar, emoldurar, eternizar. Me impregnar. Me embebedar. Não terminou, não começou, estagnou. Um passo ao lado, imóvel. Só luzes, música alta, cores, gente, barulho, só nós dois. Sou sua. Você é meu? Você quer ser meu? Quer ou não quer? Você precisa dizer, e eu preciso ouvir. Um chamado, uma música, um grito, um estalo. Você não está aqui. Você nunca esteve aqui. Ainda?

Outubro 2005

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