sexta-feira, 4 de junho de 2010

Onde foi? Onde foi que eu deixei minha ilusão? Será que perdi? Ou será que esqueci em algum coração por aí? Ah, coração, seja quem for, cuide dela por mim. Não vá alimentá-la com esperança, porque ela tem alergia, começa a alucinar, tem convulsão, febre alta; mas caso isso aconteça, basta lhe dar uma dose de realidade. Ela vai chorar durante uns dias, um pequeno efeito colateral, mas ficará bem. Dia desses cismou que o meu príncipe encantado estava mais próximo do que eu imaginava, acredita? Ela insiste em dizer que aqueles olhos azuis são tão brilhantes porque são feitos das minhas lágrimas. Nem conto o resto pra não ridicularizá-la. Sinto sua falta, ilusão. Tenho estado muito fria, desgostosa do amor. Eu sei que com você eu me sentia boba, uma criança, mas confesso que era melhor assim. Eu via as coisas com mais cor, sorria mais pros meus pensamentos. Hoje estou tão leve que a qualquer momento posso ir pra outro planeta. Mas qual a graça de ir sozinha? Ah, minha ilusão, volta pra esses lados. Cinzas, pontiagudos, duros feito pedra. Só você pode dar vida a eles, torná-los dignos de existência. Volta ilusão. Estou no escuro dançando a desilusão. Volta ilusão. Estou na estrada gritando por atenção. Volta ilusão. Estou no palco implorando por... perdão. Onde foi? Onde foi que deixei meu perdão?

Em 15/01/09 às 15h47min

Memórias

Um dia ela prometeu a si mesma que seria feliz, que conseguiria o amor que merece. E assim foi. Enquanto ela parecia ir contra tudo que já estava destinado à sorte dela, jogou ao vento aquela promessa. Tinha a força da água a seu favor e, assim nadou até ele: o homem que vivia em seu imaginário, em seu coração. A única razão, a única força que a fazia viver. Fez do seu destino um meio de alcançá-lo. E com todas as pedras que tinha apostou só nisso. Canalizou o ar que respirava, as roupas que vestia, os deveres e obrigações impostos pela sua condição como solução e armas de sedução para atingi-lo. Ela merecia. E por saber que só se sujeitava e aceitava aquela vida porque um dia chegaria até ele, tinha um presente e não sabia. Ele também a amava, também se guardou para ela. E sem a menor pretensão, de longe cuidou dela todos os dias. Era impossível esquecer aqueles olhos, aquele sorriso. Naquele dia, quando seguiram seus caminhos, já sabiam que não pertenciam a mais ninguém. Deixaram que o amor vivesse dentro deles até o momento certo de transbordarem junto a ele. Cuidaram-no como um filho, que floresceu e deu os primeiros passos quando seus olhos se fitaram novamente. O tempo havia mudado muita coisa em suas vidas, mas jamais ousou mudar o que sentiam um pelo outro. E assim aconteceu a mais linda forma de amar, em que não há tempo, não há circunstâncias, e muito menos pessoas capazes de matá-la.

Sem data

terça-feira, 1 de junho de 2010

Acho que eu quero ser o seu cheiro

Quando eu percebi que, parada na estação de Botafogo esperando meu ônibus passar, a minha espera na verdade, era pra ver você virando a esquina, sozinho, era maior que a de chegar em casa, assumi que estava apaixonada. Porque antes eu tinha a consciência de que isso podia acontecer, e percebia que ia aumentando, mas achava que quanto mais eu adiasse, menos eu me encantaria. E não é que foi o contrário? Só sei que agora estou angustiada. Pricipalmente depois desse dia, recheado de traições. Acordei traindo os amigos distantes, traí minha família ao final da tarde, e durante toda a noite li e assisti traições amorosas. E sabe que eu não me senti culpada? Logo eu, que sempre disse não suportar traição. Mas acontece que hoje eu vi que talvez qualquer saída que eu procure seja uma traição. Pensei primeiro que você poderia trair uma convicção e opção sua, bem moderninha, dessa sociedade pós-contemporânea- talvez uma das mais antigas- e eu trairia tranquilamente uma convicção minha, super careta, tão antiga quanto a sua. Se isso acontecesse, viveríamos um desses casos proibidos, secretos, com cenários vulgares, trilha sonora melosa, beijos calorosos, apertos, gemidos e muito lirismo. Trocaríamos juras e declarações de amor sem assumi-las, teríamos crises de ciúme e ficaríamos desesperados para disfarçá-las sem conseguir. Tentaríamos ser informais, manter essa casualidade, mas no final, assumiríamos que a paixão virara amor. Há uma grande chance desse amor não ser vivido na realidade, porque chegaria o momento em que pediríamos perdão às nossas convicções, ou simplesmente voltaríamos à elas sem que nada tivesse acontecido. Mas para mim pouco importa; teríamos vivido nosso caso, teríamos nos envolvido profundamente, e como em todo reencontro depois de anos, perceberíamos que fomos e somos importantes um na vida do outro, que não podemos viver nossas vidas separadamente, mas que seríamos cúmplices, e não amantes. Me agrada muito toda essa fantasia. Já fui lhe encontrar tantas vezes imaginando palavras e atitudes suas tão alarmantes, de tirar o fôlego, que quando penso nessa fantasia, nessa possibilidade dela um dia acontecer fico mais aliviada. “Acho que na próxima vez...”; e assim, meço e calculo, como uma exímia engenheira, todas as minhas ações, minhas falas, minhas roupas, meu perfume, até a minha rotina para chegar no resultado “eu e você, nós”. Estou tomada por você. Meu armário tem seu cheiro, minha pele tem seu cheiro, minha casa tem seu cheiro. Acho que eu quero ser o seu cheiro. Esse bem suave, que lhe agrada guardar no seu armário, nas suas roupas, na sua casa, na sua pele. Esse cheiro que lhe remete a floresta, as suas maneiras, e todo o resto que lhe compõe; feito uma música, assim como a minha, que na verdade é nossa. É assim que sinto essa traição. E se trair é isso, é negar tudo aquilo que me impede de tentar, de viver, de lhe conhecer por completo, então eu quero. Assumo que a minha personalidade é traidora, traiçoeira. Assumo que só sou confiável quando o assunto é traição. Assumo que só sou verdadeira, eu mesma, na minha essência, porque traí as convenções, as convicções, porque traí o óbvio, porque traí a minha consciência. Traí sim, porque percebi que tudo isso era bobagem, desnecessário. Porque se não o fizesse enlouqueceria. Porque senão trairia você, o motivo de toda a minha loucura, de todo o meu desejo, de todo o meu alívio, de toda a minha traição.

Em 23/11/08 por volta das 23h

Gabriel

Lembro-me que à primeira vista era timidez pura, mútua.
Mas existia um magnetismo bem maior que ela
Criado pela doçura dos seus olhos, pela fofura do seu sotaque
Naquele dia o seu toque foi mais embriagante que as inocentes doses de tequila
E foi aí que eu senti que você tinha algo mais
E talvez a distância entre a primeira e a segunda vista tenha sido fundamental
Porque me fez perceber que você tinha me marcado também na alma
Lembro-me de ter pensado em você constantemente nesse tempo
Na segunda vez me senti flutuar quando ao me virar me encontrei com o seu sorriso
E quando pensei que aquilo era o melhor que eu poderia ter
Você então quis primeiro ouvir a minha história, me descobrir, me desvendar
Mas aquele magnetismo falou mais alto, e quando foi atendido me transportou
Naquele momento eu era sua por inteiro
Sentia-me como uma criança a correr livre no parque
Não havia lugar, nem motivo e muito menos outra pessoa com quem eu quisesse estar
A terceira vez foi simples poesia
O encontro no metrô, a caminhada na orla e a contemplação do meu lugar preferido
Num sábado à tarde compartilhei com você o meu singelo refúgio
Ali eu percebi que havíamos virado amigos, irmãos
Estamos ligados pelo carinho, pela poesia não só dos atos
Mas pelo mais lindo presente de aniversário que eu ganhei até hoje
Você foi um elemento surpresa na minha vida, uma promessa cumprida
Agradeço-lhe por reafirmar pra mim que o lirismo ainda é possível nessa realidade
Sem ser piegas e vergonhoso, desde que se tenha algo precioso para cuidar
E você foi exatamente assim, algo precioso, algo único e meu por um tempo
Meu estranho, meu beijo, meu abraço, meu carinho, meu amigo, meu menino.

Março ou abril 2008

Daquilo que pulsa

Quero...
...ar
...dar
...mar
...lar
...calar
...gritar
...deixar
...ficar
...lá
...cá
...brigar
...cessar
...apagar.
Se for assim, melhor viver em mim. Em pedaços, por inteira, nos retratos, nos carros, na rua, na lua.
E se...
...terminar?
...amar?
...roubar?
...gostar?
...louvar?
...casar?
Se for assim, melhor viver em mim. Em você, com você, por você, de você, mas você, sempre você, até você, quando você, só você, por qual você.
Não vai...
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...acabar.

Em 02/08/07 às 02h02min

Das confusões

A madrugada sempre foi minha melhor amiga. Há muito tempo não sinto meus dedos tocando essas letras a fim de formar algo que venho sentindo. Estado de dormência sentimental. E de repente, talvez por uma angústia reprimida, talvez pelas conversas sobre as frustrações de uma “mulher” de 20 anos e um “menino” de 16 essa inquietude veio e se expôs. Sem nenhum tipo de véu, nenhuma máscara, nenhuma armadura. Percebi que não escrevo para escrever coisas bonitas, escrevo para mim e só. Não porque sou egoísta. Mas porque só eu sei como é a sensação de reler momentos, pedaços da nossa mente, das nossas emoções. Cansei de querer escrever perfeitamente bem, tão bem a ponto das pessoas elogiarem, quererem que você dedique um poema seu para elas. Nosso maior crítico sempre somos nós. Que seja de maneira lírica, que seja de maneira pobre e inocente, quase infantil. Mas que seja, que saia, que tome forma através das palavras que eu conheço. Ser aquilo que não se é é simplesmente colaborar com essa dormência que me dominava. Não quero ser cheia de qualidades. Quero que meus defeitos sobressaltem o que há de mais belo em mim e em qualquer pessoa: ser humano. Ser de carne e osso é suficiente sim. Como vamos preencher essas entranhas é outro nível e não cabe analisar. Podemos alterar sempre que quisermos. Na verdade eu sempre fui confusa. Sempre misturei as idéias. Os pensamentos vêm ao mesmo tempo e são muito voláteis. Só fica aquela inércia e o desespero. Pensei tantas coisas e nada fica. Nenhuma prova de que pensei aquilo, apenas essa confusão. Essa dor de cabeça que não passa. Se durmo, é porque nos sonhos eles ficam claros, mas quando acordo se esvaem. E agora chega aquele momento em que a embriaguez de quase devorar as letras volta ao seu estado normal. A dormência reaparece. Mas eu preciso lutar, e sempre fica assim. Uso sempre as armas erradas. Talvez seja isso. Uso armas. A partir de agora usarei palavras. Se elas fazem sentido não importa. Eu as possuo. São só minhas neste momento. E eu as aproveito à minha maneira. Públicas ou não. Que seja.

Em 02/08/07 à 01h53min

O Fim

Eu hoje posso dizer que estou bem... Superei a falta da sua necessidade, mas ainda penso em você sim... Talvez por nunca mais ter te visto, nunca mais ter ouvido a sua voz... Estou ficando cada vez mais amarga por dentro, e isso não tem me incomodado... Será que isso é normal? Não importa... O que me atrai é aquela sensação de março... Aquele passar das águas renovando minha memória e trazendo mais uma vez todos os anseios e medos da incerteza... Mas não posso deixar de afirmar... É por isso que ainda vivo...

Em 22/09/06 às 17h51min

Ele

Procure entender... Não é aquilo que eu tenho... É aquilo que eu ainda não tenho... Será que em alguma parte do seu coração você ainda não encontrou isso? Ou será que esteja lá? Se você abrisse essa porta garanto que assim que me deixasse entrar ia trancá-la de todas as maneiras possíveis para que ninguém mais entrasse... Eu sei que posso te fazer feliz, eu sei... Sei que mesmo sem saber, você me faz feliz, me motiva a cada segundo... Você é aquela parte de mim que eu sempre tive medo de enfrentar por não saber o que encontraria... Mas o que eu encontrei foi você... Quando isso começou a crescer, a criar raízes em mim, nem questionei... Percebi que era pra acontecer... Quando você vai perceber que você tem que deixar crescer também? Se você sufocá-lo, ele vai morrer... Não deixa... Eu o quero nos meus braços, afagá-lo quando ele sentir medo, estar ao lado dele em cada conquista que tivemos para ele... Porque é ele... É com ele que mudaremos o futuro... É com ele que nos tornaremos felizes... É com ele que iremos a lugares nunca antes visitados dessa maneira... É com ele que sempre viveremos um no outro... É com ele...
19/08/06 às 11h53min
Uma gota a mais no oceano!
Transbordo em angústia e aflição!
Quero o sim!
Quero o não!
O gosto amargo da solidão é a única sensação de vida que tenho nesses dias... A ausência de rostos está tomando conta de mim... Esse dia de chuva está transformando o pouco e o tudo colorido que me restava em borrão... Levando para a mãe terra...
Me leva!
Me lava!
Não há resposta... Quero o calor do Sol batendo na minha janela, invadindo a minha alma novamente... A sensação de maio não me anima... Me sufoca...
Uma gota a mais no oceano!
Me agarrando às outras como se fosse a solução... Me desprendendo por me ligar à razão... Me consumindo mais por só viver na emoção...
Sou o princípio!
Sou o fim!
Sou o yin!
Sou o yang!
O que sou? Quem sou?P or que sou? E o que é ser? Como isso tudo? Esses flashes que não têm propósito? O que eu quero?
Uma gota a mais no oceano!

Em 23/05/06 às 18h56min
O que importam as pessoas ao lado se a tua respiração me hipnotiza? O teu rosto quente levemente acariciando o meu... Bocas que se passam e se encontram tirando muito mais o meu fôlego e acelerando o meu coração do que aquele beijo avassalador... Mas ele também aparece, pra completar e colorir mais esse momento, pra tirar o meu sono, me fazer flutuar... Estar acordada sem querer sair desse sonho... Esses dias fiquei assim, só pra te ver dormindo... Percebi como és lindo; muito além do que imaginava, muito além do que precisava... Me vi com 15 anos e dançando com o “meu príncipe”... Alguém tão misterioso... Alguém mais complicado que eu... E como eu gosto disso... Anônimo e conhecido ao mesmo tempo por todos que me cercam... Estou com medo, muito medo... Não quero mais uma ilusão... Quero uma realidade com possibilidades de viver meus sonhos... Tão sublime, tão inquieto desejo... Se tornou divino... Se tornou prioridade...

Em 08/05/06 à 01h08min
Meu. Somente meu. Sentimento ilusão. Desejo árduo e sublime de abrir os olhos pela manhã e te ver dormindo ao meu lado. O simples esbarrar de mãos pela noite, aconchegar sua cabeça em meus braços. Te ter perto, sabendo que estás longe. Olhar para o nada e formar a tua singular imagem. Nos mínimos detalhes. Personalidade que cativou através da eletricidade que corre em tuas veias. Inocência de atos que muitos não fazem. Como eu te vejo? Simples e única perfeição. Milhões de pensamentos me deixam perdida, mas ao encontrar teu olhar, volto a mim, a você, a nós. Sentindo na alma a falta da cor, do cheiro da tua pele. Sentindo no coração o vazio que tu deixastes. Sentindo na mente que a tua presença permanecerá forte enquanto não ouvir da sua doce boca o amargo “adeus”. E enquanto isso, o que eu tenho? As lembranças. Tu, somente tu. O que eu quero, o que eu respiro. Essência da alma, fator vital. Vontade de parar naqueles tempos em que sentia teu calor, em que podia perceber a sintonia que estava começando a virar uma obra-prima, mas ficou apenas no rascunho, um borrão. Cada lágrima derramada aumenta a certeza de que “eu e você” não existe. Sonho que vai muito além da realidade. E o que é a realidade? Eu. Somente eu.

Em 11/03/06 à 0:55 h
Talvez seja ilusão. Esperar tanto, que quando acontece nada se encaixa, nada se assimila. Estava indo embora, mas me invadiu muito mais do que antes. Um minuto, uma ação. Mudou tudo.Tantos sentimentos, tantas reações. Um beijo. Torce, retorce, vira e desvira, mãos, cabelos, braços, apertos, carinhos, gemidos. Um querer não querer sem saber, sem entender, sem dizer, sem por quê. Ondas que vão e vêm, que inundam, que destroem, que acalmam, que amedrontam. Olhos cegos que dizem tudo. Cada sorriso, cada dente, aquela língua, cada fio de cabelo, o cigarro, a bebida. Visão perfeita totalmente retorcida. Meu consolo, meu acalento, meu desejo, meu remédio, minha doença, meu vício, minha mania, meu objetivo, minha obsessão, minha essência. O porto seguro do meu devaneio. Devaneio do meu porto seguro. Pulsar, transpirar, relaxar, pensar, guardar. Lá e cá. De que adianta? Não quero um beijo, não quero uma palavra, não quero uma ação, não quero um pedaço de papel.Quero o todo, quero o tudo. Quero desmontar, lapidar, guardar, emoldurar, eternizar. Me impregnar. Me embebedar. Não terminou, não começou, estagnou. Um passo ao lado, imóvel. Só luzes, música alta, cores, gente, barulho, só nós dois. Sou sua. Você é meu? Você quer ser meu? Quer ou não quer? Você precisa dizer, e eu preciso ouvir. Um chamado, uma música, um grito, um estalo. Você não está aqui. Você nunca esteve aqui. Ainda?

Outubro 2005
Não estou conseguindo raciocinar. Não estou conseguindo acordar. Esse sonho virou minha realidade. Estou morando dentro de você. Estou vivendo através de você. Não apague essa luz, deixe ela como está. Te sinto, te respiro, te vivo. Você me invadiu sem ao menos perguntar. Veio como uma brisa suave, e me fincou o coração. Fácil é pensar em você.Difícil é não tê-lo por perto. Não estou compartilhando você com você mesmo. Teu calor me irradia, mas não está sendo mais o suficiente. Vem pra mim. Viva por mim. Quero você, você e VOCÊ. Tão simples meu desejo e tão tortuoso o meu caminho. De repente, você some. E aquela face que para mim era mais do que celestial, está se transformando. Sem nada. Um beijo, um gesto, um cheiro, um olhar, uma palavra, um vazio.

Abril 2005