A madrugada sempre foi minha melhor amiga. Há muito tempo não sinto meus dedos tocando essas letras a fim de formar algo que venho sentindo. Estado de dormência sentimental. E de repente, talvez por uma angústia reprimida, talvez pelas conversas sobre as frustrações de uma “mulher” de 20 anos e um “menino” de 16 essa inquietude veio e se expôs. Sem nenhum tipo de véu, nenhuma máscara, nenhuma armadura. Percebi que não escrevo para escrever coisas bonitas, escrevo para mim e só. Não porque sou egoísta. Mas porque só eu sei como é a sensação de reler momentos, pedaços da nossa mente, das nossas emoções. Cansei de querer escrever perfeitamente bem, tão bem a ponto das pessoas elogiarem, quererem que você dedique um poema seu para elas. Nosso maior crítico sempre somos nós. Que seja de maneira lírica, que seja de maneira pobre e inocente, quase infantil. Mas que seja, que saia, que tome forma através das palavras que eu conheço. Ser aquilo que não se é é simplesmente colaborar com essa dormência que me dominava. Não quero ser cheia de qualidades. Quero que meus defeitos sobressaltem o que há de mais belo em mim e em qualquer pessoa: ser humano. Ser de carne e osso é suficiente sim. Como vamos preencher essas entranhas é outro nível e não cabe analisar. Podemos alterar sempre que quisermos. Na verdade eu sempre fui confusa. Sempre misturei as idéias. Os pensamentos vêm ao mesmo tempo e são muito voláteis. Só fica aquela inércia e o desespero. Pensei tantas coisas e nada fica. Nenhuma prova de que pensei aquilo, apenas essa confusão. Essa dor de cabeça que não passa. Se durmo, é porque nos sonhos eles ficam claros, mas quando acordo se esvaem. E agora chega aquele momento em que a embriaguez de quase devorar as letras volta ao seu estado normal. A dormência reaparece. Mas eu preciso lutar, e sempre fica assim. Uso sempre as armas erradas. Talvez seja isso. Uso armas. A partir de agora usarei palavras. Se elas fazem sentido não importa. Eu as possuo. São só minhas neste momento. E eu as aproveito à minha maneira. Públicas ou não. Que seja.
Em 02/08/07 à 01h53min
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