Lembro-me que à primeira vista era timidez pura, mútua.
Mas existia um magnetismo bem maior que ela
Criado pela doçura dos seus olhos, pela fofura do seu sotaque
Naquele dia o seu toque foi mais embriagante que as inocentes doses de tequila
E foi aí que eu senti que você tinha algo mais
E talvez a distância entre a primeira e a segunda vista tenha sido fundamental
Porque me fez perceber que você tinha me marcado também na alma
Lembro-me de ter pensado em você constantemente nesse tempo
Na segunda vez me senti flutuar quando ao me virar me encontrei com o seu sorriso
E quando pensei que aquilo era o melhor que eu poderia ter
Você então quis primeiro ouvir a minha história, me descobrir, me desvendar
Mas aquele magnetismo falou mais alto, e quando foi atendido me transportou
Naquele momento eu era sua por inteiro
Sentia-me como uma criança a correr livre no parque
Não havia lugar, nem motivo e muito menos outra pessoa com quem eu quisesse estar
A terceira vez foi simples poesia
O encontro no metrô, a caminhada na orla e a contemplação do meu lugar preferido
Num sábado à tarde compartilhei com você o meu singelo refúgio
Ali eu percebi que havíamos virado amigos, irmãos
Estamos ligados pelo carinho, pela poesia não só dos atos
Mas pelo mais lindo presente de aniversário que eu ganhei até hoje
Você foi um elemento surpresa na minha vida, uma promessa cumprida
Agradeço-lhe por reafirmar pra mim que o lirismo ainda é possível nessa realidade
Sem ser piegas e vergonhoso, desde que se tenha algo precioso para cuidar
E você foi exatamente assim, algo precioso, algo único e meu por um tempo
Meu estranho, meu beijo, meu abraço, meu carinho, meu amigo, meu menino.
Março ou abril 2008
Nenhum comentário:
Postar um comentário